Trocando em Miúdos: André Neves


“Quando criança eu sempre quis escrever, mas não havia nada para contar. Me pus a desenhar, enquanto aguardava, portanto, viver. Hoje bem sei que havia tanto a contar, o que não precisava era escrever”

Faz um ano que André Neves escreveu essas palavras na parede do Sesc Ribeirão Preto. Foi em julho de 2015, e o cenário era a exposição interativa “Tirando de Letra”, que a cada edição escolhe um autor para homenagear em uma mostra sensorial que materializa personagens e dá à literatura o aspecto coletivo e comunitário de que ela é tantas vezes privada (vale dizer aqui que a homenageada da vez é Marina Colasanti, e a exposição “A moça tecelã” abriu para o público no último dia 27 de julho, ficando em cartaz até 16 de outubro).


Tudo isso para dizer que o entrevistado do Trocando em Miúdos de hoje, o escritor e ilustrador André Neves, não soube sempre por que faz o que faz. Ele começou desenhando para só depois começar a escrever as suas próprias histórias. São de sua autoria os premiados livros Tom (Projeto, 2012), Mel na Boca (Cortez, 2014), Malvina (DCL, 2013) e Obax (Brinque-Book, 2010) livros sobre pequenos protagonistas que sabem bem o seu tamanho, que desafiam a ideia do que é ser criança para ser muito mais, e quase sempre tocar em questões urgentes como autonomia infantil, feminismo, autismo, exclusão social.


André Neves é autor no sentido mais amplo que a palavra pode ter. Não só escreve e ilustra seus livros, mas desempenha um importante papel de mediador de leitura em escolas, universidades e centros culturais, além de colocar seus personagens em exposições que elevam a ideia de leitura para um outro grau de significação.


Publicado em diversos países da Europa, André já recebeu por aqui alguns dos mais importantes prêmios da literatura infantil e juvenil, como Jabuti, FNLJI, Monteiro Lobato.

Agora, ele está prestes a lançar o seu mais novo livro, Nuno e as coisas incríveis, que chega em outubro pela Jujuba Editora, além de trabalhar em Um Dia, Um Rio, livro que traduz para o universo infantil a tragédia do rompimento das barreiras da hidrelétrica de Fundão, em Mariana. Previsto para o segundo semestre de 2016, o livro será lançado pela Pulo do Gato, com ilustrações de André e texto de Léo Cunha.


Dono de uma imaginação que não tem tamanho, mas tem cor, cheiro e sotaque metade Pernambuco, metade gaúcho, André respondeu às perguntas do Garimpo como quem recorre a uma criança que nunca deixou de estar à frente do adulto que ele agora é. “Sou pura imagem. Risco e rabisco. Só sei ser assim. Como se alma ilustração fosse”.


1. Por que às vezes o desenho tem um tamanho e o texto tem outro?

Porque às vezes as ideias visuais precisam contar mais do que as palavras, e vice-versa.

2. Para que serve uma cor? E a imaginação?

As cores são importantes na vida cotidiana, através delas podemos ver e sentir pois cada uma afeta diretamente o corpo e a mente. Podemos com elas, por exemplo, ver o tempo, entender e imaginar atreves de sensações.

3. Você já trombou com uma história no meio da rua?

Com várias. Muitas não precisam ser contadas em livros. Fazem parte da vida.

4. Uma história nasce na barriga ou na cabeça?

No sonho.

5. Dos mundos que não existem, qual é o seu favorito?

Esse em que vivemos. É SURREAL.

6. Como consertar uma história que não funciona?

Todas as histórias funcionam, basta saber contá-las. Neste caso, um pouco de experiência, técnica e mais sensibilidade ajudam.

7. É mais fácil ganhar de um monstro ou de um medo?

Do monstro.

8. Qual a diferença entre as palavras fáceis e as difíceis?

Nenhuma. Basta conhecê-las.

9. Por que os adultos às vezes querem esconder algumas na estante mais alta?

Livros? Para deixar a imaginação mais perto das nuvens.

10. Se os livros tivessem perna, pra onde eles iriam?

Para casas tristes. Aquelas que não possuem livros.

Sobre o autor

Formado em Relações Públicas e Artes Plásticas e natural de Recife, André Neves vive atualmente em Porto Alegre. Escreve e ilustra livros infantis e trabalha como arte-educador e mediador de leitura nas inúmeras intervenções, oficinas e palestras que faz sobre suas obras. Tem mais de uma centena de livros no currículo, entre edições brasileiras, estrangeiras e participações em coletâneas internacionais. Para acompanhar sua obra em constante ativa, um bom caminho é acompanhar a página do autor no Facebook, onde ele faz questão de dividir o seu processo criativo com os seguidores.Todas as imagens que ilustram este texto são ilustrações em fase de desenvolvimento.


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