Trocando em miúdos: Janaina Tokitaka



Artista está sempre em gestação. Às vezes, nasce uma ideia, um parágrafo pela metade, um futuro por inteiro. Com sorte, nasce uma história! A ilustradora e escritora Janaina Tokitaka está em gestação dupla: enquanto escreve e ilustra um quadrinho de duzentas páginas, ela espera a chegada de sua bebê, a Rosa.


São muitas gestações em uma. Por isso, ninguém melhor para inaugurar a série de mini-entrevistas TROCANDO EM MIÚDOS. Vamos trocar de lugar com a criança que mora dentro de nós? Que perguntas os pequenos fariam se a gente deixasse elas perguntarem? Interrogações pequenas ou grandes? Essa é a ideia, passar um tempo na pele de um eu lírico imaginário e sair por aí indagando, como se o Garimpo tivesse engolido uma criança perguntadeira. Sempre as mesmas perguntas. Sempre respostas diferentes.


Vamos lá?

Trocando em miúdos: Por que às vezes o desenho tem um tamanho e o texto tem outro?

Janaina Tokitaka: Porque tem história que precisa de imagem pequena e história que precisa de imagem grande, mas, como a gente que trabalha com criança sabe bem, tamanho não é documento.

Para que serve uma cor? E imaginação?

Cor e imaginação são coisas muito importantes para servirem para alguma coisa.

Você já trombou com uma história no meio da rua?

Já. Eu saio guardando todas as que acho na bolsa, dentro do meu caderno. Depois chego em casa e descubro que metade é lixo, mas muitas vezes dá pra aproveitar uma coisa ou outra.

Uma história nasce na barriga ou na cabeça?

Eu acho que história nasce das mãos.

Dos mundos que não existem, qual é o seu favorito?

"A floresta", dos irmãos Grimm.

Como consertar uma história que não funciona?

Geralmente, é só ver se você não colocou alguma coisa inútil que está prendendo alguma peça importante.

É mais fácil ganhar de um monstro ou de um medo?

Os dois são a mesma coisa, mas acho mais fácil ganhar do medo quando ele está na forma de monstro.

Qual a diferença entre as palavras fáceis e as difíceis?

Nenhuma. Uma palavra difícil é só uma palavra fácil usando disfarce.

Se os livros tivessem perna, aonde eles iriam?

Para a casa de quem mais precisa deles.

Para quem ficou curioso, o livro de quadrinhos que a Janaina está fazendo vai se chamar “Viagem à Ganímedes” (título provisório!) e vai sair pela Companhia das Letras. Escrito em parceria com o escritor Antonio Xerxenesky, o livro fala sobre uma viagem ao espaço, e está previsto para o fim deste ano ou início de 2017. “É certamente o trabalho mais legal e mais difícil que eu já fiz na carreira”, antecipa.

Últimos livros dela:

“Nanquim”: Um conto visual sobre o encontro inesperado entre um monge e uma garça. Editora Cortez, 2015. E “O Mercado dos Goblins” (que ilustra este texto), com texto de Christina Rosseti e publicado pela Companhia das Letrinhas em 2014.

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